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Resenhas

Nós somos a cidade, de N.K. Jemisin

Nós somos a cidade
Nós somos a cidade, de N.K. Jemisin publicado pela Editora Suma com tradução de Helen Pandolfi

Vamos conversar sobre Nós somos a cidade, de N.K. Jemisin e descobrir o que a minha experiencia de leitura desse livro.

Toda cidade tem alma. Mas toda cidade também tem um lado obscuro. Um mal antigo espreitando sob a terra, esperando pelo momento certo para atacar. E quando Nova York desperta, corporificada na figura de um franzino garoto de rua, o ataque que se segue é brutal. O jovem, avatar da metrópole, fica em um coma mágico, e a cidade corre perigo com o mal que infesta ruas e pessoas, ameaçando destruí-la. É então que outros cinco avatares são chamados à luta.

Em Manhattan, um jovem universitário sente o pulsar da metrópole e compreende seu poder. No Bronx, a diretora lenape de uma galeria de arte descobre estranhos grafites que a atraem de maneira irresistível. No Brooklyn, uma antiga MC que entrou para a carreira política consegue ouvir a música da cidade. No Queens, uma imigrante indiana com um visto de estudante não entende como pode se tornar parte de um lugar que mal a reconhece como cidadã. E em Staten Island, a filha oprimida de um policial violento sente o resto da cidade chamando por ela.

Enquanto isso, o avatar de Nova York dorme, esperando que seus distritos consigam se unir e expulsar de uma vez por todas o invasor monstruoso à caça deles.

Fonte da Sinopse: Companhia das letras.
Nós somos a cidade, de N.K. Jemisin

Eu definitivamente sou a pessoa do livro único, mas venho aqui dar 5 estrelas e favoritar um livro de trilogia sem medo de me arrepender, fechei a última página pensando: CADÊ O PRÓXIMO!? O Blurb do Neil Gaiman na capa é justíssimo, sim, essa é uma fantasia Gloriosa! Com uma capa numa pega pop art, com cores vibrantes e uma sinopse meio confusa, foi o nome N.K Jemisin que me fez querer entrar na leitura de Nós somos a cidade sem saber muita coisa! 

A autora já tem lançado no Brasil uma outra trilogia chamada A terra prometida (A quinta estação, O portão do Obelisco e O céu de pedra) com a qual eu conheci a escrita da autora e me tornei fã, mas se só a minha empolgação não te convence segura esses fatos aí: Jemisin é vencedora consecutiva do Prêmio Hugo  nos anos 2016, 2017 e 2018  e Premio Nebula: Romance em 2018.

Nós somos a cidade, de N.K. Jemisin

O plot básico da aventura Nós somos a cidade é que cidades têm vida própria, elas nascem e se algo der errado elas morrem e desaparecem! Para lidar com o mal que tenta destruir as cidades avatares são convocados para uma batalha e ao que tudo indica a batalha da cidade de Nova Iorque será intensa. Uma cidade plural não poderia ter um único representante, então sem muitas explicações de quem é quem ou quem faz o que nessa história ou de como esse mundo de fantasia urbana funciona, somos jogados  em uma teia de acontecimentos que desvendaremos junto com os personagens principais!

Eu canto a cidade. A porra dessa cidade . De pé, no alto de um prédio onde não moro, abro os braços e contraio o diafragma, uivando coisas sem sentido na direção do canteiro de obras que bloqueia a vista. Meu canto , na verdade, é direcionado à paisagem urbana além das obras. A cidade vai entender.

Mesmo que nunca tenhamos fisicamente ido a Nova Iorque ou que sejamos Nova Iorquinos sabemos a fama de diversidade da cidade, sabemos que a cidade nunca dorme e de alguma forma em algum momento nos conectamos com a cidade e é baseado nisso que somos tragados já no começo para a trama, acompanharemos personagens e estereótipos nova-iorquinos , mas eles são deliciosamente instruídos e mesclados com PAULO (alôooou São Paulo) temos menção a Hong (sim essa cidade que você está pensando) então correndo o risco de fangirling a autora a sacada de entrelaçar países diferentes comigo funcionou demais!

Paulistanos são infames por serem workaholics; os outros brasileiros fazem piada com a obsessão deles por reuniões e políticas corporativas e toda a pompa organizacional.

A narração em Nós somos a cidade

Com uma narração em terceira pessoa, que em determinados pontos do desenvolvimento se apresenta em primeira pessoa deixando as cenas mais ágeis e mais claras vamos conhecer um garoto (Nova Iorque) que foi expulso de casa pela mãe, que vive pelas ruas de NY, esfomeado e foi eleito pela cidade para ser o catalisador. Ser catalisador implica em decidir que quer lutar, implica em vencer e sobreviver; lutar, perder e deixar a cidade morre ou quem sabe durante a luta virar uma casca como foi com Nova Orleans, a questão aqui é que essa é uma cidade muito particular para ter apenas uma avatar então seguiremos as personalidades, medos e qualidades de Many (Manhattan), Aislyn (State Island), Bronca (Bronx), Brooklyn (Brooklyn) e Padmini (Queens).

Quem diz que mudanças são impossíveis geralmente está muito satisfeito com as coisas como estão.

Com muita sensibilidade esse é um livro que a ponta sem medo muitas críticas sociais, com cenas bem descritivas de  violência/desconfiança policial, de preconceito velado e/ou estrutural , explicita o pior lado dos estereótipos que temos; a xenofobia é desenhada de forma que nos irrita ao ponto de querer entrar nas páginas.

A diversidade de cada um dos personagens/avatares é a cereja do bolo na narrativa, os detalhes que compõe as personagens são minuciosamente bem pensadas e ricas, todos têm as suas próprias batalhas a lutar, entender que o que somos impacta no que o outro pode ser ou deixar de ser, nem sempre é fácil, descobrir a personalidade de cada um nos mostra pontos delicados e frágeis de seres humanos que não existem só em nova Iorque, mas que podem ser nossos vizinhos, a identificação vem fácil e de diversos ângulos.

Nós somos a cidade

No meio das ameaças, descoberta e reviravoltas há espaço para reflexões muito incríveis, e é claro que personagens escritos em cima de estereótipos do senso comum, vão nos despertar a raiva a ponto de querer pular algumas partes, mas eles são construídos justamente para despertar  reações extremas no leitor e sim isso acontece aqui, de todas as pessoas que eu sei que leram o livro, todos odiaram com a mesma intensidade uma personagem  xenofóbica e mimada, mas aí é que está o segredo, esse é o primeiro livro de uma trilogia, fiquei me perguntando se há espaço e ousadia para mudanças drásticas… a expectativa foi criada!

-Não há lugar no mundo como esse- digo, e todos nós sorrimos com a mágica dessa verdade.

Sobre a grande ameaça e vilã bom essa eu vou deixar em suspense (com um leve #ChupaLovecraft), pois o jeito/o mito sobre qual ela é construída é nada mais nada menos que inteligentíssimo! N.K Jemisin nós aqui no Brasil (e em São Paulo obviamente) estamos ansiosos e prontíssimos para te aclamar!

Nós somos a cidade
Autor: N.K. Jemisin | Tradução: Helen Pandolfi
Editora: Suma
Páginas: 334 | ISBN: 9788556511201
Para lerhttps://amzn.to/3t8jdF7

Avaliação: 5 de 5.


Ósculos e Amplexos, Karina.

Sobre o autor

Biomédica por formação, bookaholic por paixão!

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