Resenhas

    Se a Rua Beale falasse, de James Baldwin

    28 de novembro de 2019
    Se a Rua Beale falasse

    Tish tem dezenove anos quando descobre que está grávida de Fonny, de 22. A sólida história de amor dos dois é interrompida bruscamente quando o rapaz é acusado de ter estuprado uma porto-riquenha, embora não haja nenhuma prova que o incrimine. Convicta da honestidade do noivo, Tish mobiliza sua família e advogados na tentativa de libertá-lo da prisão.
    Se a rua Beale falasse é um romance comovente que tem o Harlem da década de 1970 como pano de fundo. Ao revelar as incertezas do futuro, a trama joga luz sobre o desespero, a tristeza e a esperança trazidos a reboque de uma sentença anunciada em um país onde a discriminação racial está profundamente arraigada no cotidiano.
    Esta edição tem tradução de Jorio Dauster e inclui posfácio de Márcio Macedo.

    Sinopse: Companhia das Letras

    Se a rua Beale falasse é aquele livro que você nunca ouviu falar, mas que quando sai a adaptação cinematográfica ele borbulha nas redes socias e coloca novamente na mídia o autor e sua obra. E foi assim que fiquei sabendo da existencia desse grande autor da literatura norte-americana

    A primeira vez que eu ouvi falar em James Baldwin foi através Gabi (@umacertagabi) quando ela estava lendo O quarto de Giovanni. A Gabi já até falou um pouco sobre Baldwin em seu podcast. Logo de cara, fiquei intrigada, principalmente pela capa, e no primeiro email da parceria desse ano com a Companhia das letras, estava disponível a obra do autor para solicitação de leitura.

    Não quero entrar em detalhes sobre sinopse e tudo mais por aqui. O que eu realmente quero conversar é sobre o que achei da leitura desse livro. Nem vou entrar no mérito que Se a rua Beale falasse vai retratar história de pessoas e voces já estão cansados de saber que é o tipo de enredo que me prende. Conhecer a vida, as dificuldades e os problemas de Tish e Fonny é o que me fez querer ler esse livro

    Se a Rua Beale falasse

    A narrativa é simples, sem rebuscamento, apesar de sentirmos uma intensidade na maneira que foi escrito. É tudo muito cru e verdadeiro. A gente sente as aflições de Tish e sua família em conseguir provar a inocência de Fonny e tirá-lo da prisão. É uma luta, uma batalha que a família Rivers trava e que é o retrato de tantas outras famílias que vivem as tensões raciais, não só nos EUA, mas em muitos outros lugares do mundo, inclusive no Brasil.

    Não há uma linearidade na narrativa: vemos o presente e o passado simultaneamente e a história é contada pela ponto de vista da Tish. O tempo dos fatos é um pouco lento o que pode deixar um leitor um pouco cansado e com a sensação de que nada está acontecendo. Apesar do livro não ser tão extenso. O final deixa uma sensação de algo inconclusivo. E isso é extremmanete intencional (pelo menos, eu acho que é). Faz com o que leitor conclua o que melhor ele achar a partir da experiência de leitura que ele teve com a obra. Acho justo!

    Acho que não é muito frequente que duas pessoas possam rir e transar, transar porque estão rindo, rir porque estão transando. O riso e o amor vêm do mesmo lugar: mas pouca gente vai lá.

    BALDWIN, James. Se a rua Beale falasse, pg 26.

    Apesar do livro ter sido publicado em 1974 a história continua muito atual. O livro irá tocar justamente nas questões de raça e como vidas de pessoas negras são arruinadas apenas por conta de preconceito e poder. As cenas, as lutas e os impasses descritos no enredo são os mesmos que vemos ainda hoje sobre a situação das pessoas

    A edição que eu li é a da Companhia das Letras e segue o padrão de capa das outras obras do autor já publicadas pela editora. Mas por conta do filme, a casa fez uma jacket cover com o pôster do filme, o que ficou bem legal. Eu prefiro sempre o uso de uma jacket ao invés de trocar/colocar uma capa nova na obra. Isso deixa o leitor com a opção da qual mais lhe agrada.

    Não vale a pena ir muito fundo nesse mistério, que está tão longe de ser simples quanto de ser seguro. Não conhecemos o suficiente sobre nós mesmos. Acho que é melhor saber que não sabemos , desse modo a gente pode crescer carregando o mistério, assim como o mistério cresce dentro da gente. Mas hoje em dia, é claro, todo mundo sabe de tudo, e é por isso que tanta gente está perdida.

    BALDWIN, James. Se a rua Beale falasse, pg 52

    Quero muito assistir o filme e ver como essa história foi adaptada para as telas. Vale lembrar que atriz Regina King que interpreta a Sharon Rivers, mãe da Tish, ganhou o Oscar de atriz coadjuvante pelo seu papel. Vamos ver como será o filme.

    Se você como eu, curte livros que contam histórias de pessoas, você precisa ler Se a Rua Beale falasse. Não só por conta da história, mas também para difundir a obra desse autor que deveria sair do nicho e abranger um público maior e mais universal.

    Se a Rua Beale Falasse
    Autor
    : James Baldwin | Tradução: Jorio Dauster
    EditoraCompanhia das Letras
    Páginas: 224 | ISBN: 9788535931945
    Skoob | Goodreads
    Para lerhttps://amzn.to/2O2fi7P

    Mil beijos e até mais!

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