Resenhas

Minha coisa favorita é monstro, de Emil Ferris

19 de março de 2020

Com o tumultuado cenário político da Chicago dos anos 1960 como pano de fundo, Minha coisa favorita é monstro é narrado por Karen Reyes, uma garota de dez anos completamente alucinada por histórias de terror. No seu diário, todo feito em esferográfica, ela se desenha como uma jovem lobismoça e leva o leitor a uma incrível jornada pela iconografia dos filmes B de horror e das revistinhas de monstro.
Quando Karen tenta desvendar o assassinato de sua bela e enigmática vizinha do andar de cima – Anka Silverberg, uma sobrevivente do Holocausto – assistimos ao desenrolar de histórias fascinantes de um elenco bizarro e sombrio de personagens: seu irmão Dezê, convocado a servir nas forças armadas e assombrado por um segredo do passado; o marido de Anka, Sam Silverberg, também conhecido como o jazzman “Hotstep”; o mafioso Sr. Gronan; a drag queen Franklin; e Sr. Chugg, o ventríloquo.
Num estilo caleidoscópico e de virtuosismo estonteante, Minha coisa favorita é monstro é uma obra magistral e de originalidade ímpar.

Fonte da Sinopse: Companhia das Letras

Antes de falarmos da “Lobismoça” rs precisamos entender quem é Emil Ferris, a mulher que idealizou o livro “Minha coisa favorita é monstro”. Talvez a história de Ferris seja ainda mais incrível que a da Karen. O quadrinho demorou mais de 5 anos para ser finalizado, pois a criação da história coincide com a história de superação da Ilustradora que perdeu parte dos movimentos da mão que usava para desenhar por conta de uma doença que afeta o sistema nervoso central chamado “Febre do Nilo Ocidental”, esse é seu volume de estreia como autora de quadrinhos e já é vencedor de não um, mas TRÊS Eisner.

Emil é filha de artistas então a arte sempre esteve presente na vida da autora, mas a arte aqui retratada é inacreditável em um quadrinho feito com caneta esferográfica os detalhes são de se ficar admirando por horas! Apesar de ser um quadrinho ficcional, há partes da biografia da autora que se mistura com a da personagem principal.

Minha coisa favorita é monstro

Quando eu comecei a história eu não esperava de maneira nenhuma encontrar os temas que encontrei. De uma maneira crua somos expostos a situações de agressão física, sexual, racismo, mas nada de graça e tudo de uma maneira que costura a obra muito bem. Não ter minhas expectativas correspondidas foi uma surpresa maravilhosa.

História central em Minha coisa favorita é monstro

O plot central de Minha coisa favorita é monstro está numa garota de 10 anos que vai investigar a morte da vizinha Ana Silverberg (que é sobrevivente do holocausto) que foi dada como causa o suicídio, mas que tem indícios de ter sido um assassinato. Karen e Ana eram bem próximas então Karen toma pra si a responsabilidade de investigar a morte da vizinha, sem ter noção do quando vai descobrir de si mesma nessa jornada.

Nas reproduções de quadros famosos ou na inserção de temáticas feministas e levantamentos das consequências que sofremos quando somos podados e sufocados que são sutilmente levantadas ao longo do texto faz com que todos os “biscoitos” dados a esse quadrinho seja pouco. Art Spilman (autor de Maus, minha HQ favorita da vida) tece elogios tremendos e eu concordo com todos eles.

Minha coisa favorita é monstro é construído para parecer o diário de Karen Reyes, uma garotinha que  tem gostos peculiares, sofre bullying e mora em Chicago. Karen acredita firmemente que ser humano é absolutamente terrível e, em vez disso, ela gostaria de ser uma monstro então ela se retrata como uma Lobismoça. Como o quadrinho é retratado como o diário da Karen, além do mistério da morte de Anka, vemos sob o olhar da garotinha as pessoas que fazem parte da vida dela como outros vizinhos e o irmão.  A construção das páginas e storyboards não seguem um padrão o que deixa a leitura um pouco lenta no começo, mas que flui bem e faz sentido quando entendemos a proposta de narração. Se você gosta de citações a filmes, obras literárias e obras de arte que chamam a sua atenção e enriquecem o pano de fundo das histórias, definitivamente esse quadrinho é para você. Emil Ferris não economiza ao nos situar entre referencias e marcos históricos.

Se Deus existe,  amar as pessoas que não merecem é o trabalho dele.

Karen é apenas uma criança e a genialidade está em Ferris brincar com o fato de que muitas vezes as crianças são muito mais perspicazes do que acreditamos. Como qualquer boa história de monstros, aqui o verdadeiro horror é encontrado nos seres humanos e eu espero desesperadamente que o próximo livro não demore outro longos 5 anos para chegar ao brasil, Senhora Emil! Quadrinhos na Cia, por favor, nos proporcione mais genialidade em forma de quadrinhos

Minha coisa favorita é Monstro
Autora: Emil Ferris | Tradução: Érico Assis
Editora: Quadrinhos na Cia
Páginas: 416 | ISBN: 9788535931747
Skoob | Goodreads
Para ler: https://amzn.to/2IW9XeM

Ósculos e Amplexos, Karina.

Você poderá gostar de

Nenhum comentário
comentários pelo Facebook

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.