Resenhas

Mitologia Nórdica, do Neil Gaiman

22 de fevereiro de 2019

Quem, além de Neil Gaiman, poderia se tornar cúmplice dos deuses e usar de sua habilidade com as palavras para recontar as histórias dos mitos nórdicos? Fãs e leitores sabem que a mitologia nórdica sempre teve grande influência na obra do autor. Depois de servirem de inspiração para clássicos como Deuses americanos e Sandman, Gaiman agora investiga o universo dos mitos nórdicos. Em Mitologia nórdica, ele vai até a fonte dos mitos para criar sua própria versão, com o inconfundível estilo sagaz e inteligente que permeia toda a sua obra. Fascinado por essa mitologia desde a infância, o autor compôs uma coletânea de quinze contos que começa com a narração da origem do mundo e mostra a relação conturbada entre deuses, gigantes e anões, indo até o Ragnarök, o assustador cenário do apocalipse que vai levar ao fim no mundo. Às vezes intensos e sombrios, outras vezes divertidos e heroicos, os contos retratam tempos longínquos em que os feitos dos deuses eram contados ao redor da fogueira em noites frias e estreladas. Mitologia nórdica é o livro perfeito para quem quer descobrir mais sobre a mitologia escandinava e também para aqueles que desejam desvelar novas facetas dessas histórias.

Fonte da sinopse: Intrinseca

Se você nunca leu Neil Gaiman e curte mitologia nórdica essa é uma ótima opção para primeiro contato, esse é um livro de contos que reúne ao todo 15 contos que vão desde a criação do mundo segunda a mitologia nórdica até o crepúsculo dos Deuses, conhecido como Ragnarok.

Além de contar com uma introdução do próprio Neil Gaiman contando sobre a criação do livro e o processo de pesquisa, tem uma pequena introdução aos personagens centrais dos contos que são: Loki, Odin e Thor, e até mesmo um glossário no final que ajuda quem não está muito familiarizado com os termos nórdicos.

Leia as histórias deste livro, depois se aproprie delas e, em uma noite gelada de inverno- ou em uma noite de verão-, conte a seus amigos o que aconteceu quando o martelo do Thor foi roubado, ou como Odin obteve o hidromel da poesia para os Deuses.

É quase num tom de bate-papo que Gaiman vai nos contanto que Loki é na verdade irmão de Odin, nos conta sobre um pacto de sangue doido que eles fizeram, e diferente do que todo mundo acha Loki não foi adotado por Odin como conhecemos lá nos quadrinhos do Stan Lee. O Thor do Gaiman é ruivo e um tanto “burro”.

Mitologia nórdica é a minha favorita, então por esse motivo já sou meio que suspeita para falar sobre qual conto gostei mais, mas além de conhecer as histórias que eram apenas contadas através do boca a boca, o texto nos entrega links de curiosidades muitos legais, por exemplo, os nomes dos Deuses deram origem as palavras em inglês que designam os dias da semana, a Tuesday (terça- feira) é Tyr, Wednesday (quarta- feira) é Odin, Thusrday (quinta-feira) é o Thor e Friday (sexta -feira) é a Frigga.

O olho de Odin permaneceu no poço de Mímir, preservado pelas águas que alimentam as cinzas do mundo, vendo nada e observando tudo.

O conto que eu mais gostei foi sobre como Thor ganhou o Mjolnir (martelo), que apesar de tudo ter começado com mais uma das maldades do Loki, as aventuras descritas são bem épicas e a narrativa rapidanos faz quase visualizar a historia contada onde os deuses ganharam presentes incríveis, sente inveja um do outro, trapaceam e no fim, como sempre, meio que tudo se encaixou.

O conto que mais me “irritou” foi o conto sobre os filhos de Loki, mas, dessa vez, por incrível que pareça a culpa não foi do Loki e sim da maldade dos deuses para com o Lobo Fenrir,; ao longos dos anos o cristianismo protocolou que há apenas um Deus e que em suma ele é bom, mas em crençs mais antigas além de haver vários Deuses, esses Deuses tinham caracteristicas humanas bem acentuadas e a maldade não ficava de fora.

Veja bem… Se as pessoas refletissem mais sobre a exatidão de suas palavras, não ousariam enfrentar Loki, o mais sábio, o mais esperto, o mais trapaceiro, mais inteligente, mais bonito…

O conto em que mais me diverti foi o do Hidromel da Poesia, essa é uma referência que certamente vou levar para o meu dia-a-dia, mas não quero falar muito sobre para que ue não tire de vocês todas as risadas que certamente esse conto reserva, só acreditem em mim e não deixem de ler.

Mas sempre que você ouvir poetas ruins declamando sua péssima poesia, cheio de sorrisos tolos e rimas feias, vai saber que hidromel eles provaram.

O livro  começa mais devagar, mas acredito que essa escolha seja  para nos dar uma base de quem é quem e como as coisas estão divididas nos 9 mundos, com certeza esse é um livro que vou querer reler de tempos em tempos; ele pode ser lido esporadicamente ou tudo de uma vez (como eu que sou uma pessoa curiosa e apaixonada pela escrita do Gaiman, li tudo de uma vez).

A edição tá linda, tem capa dura e um toque soft touch, mas seria destaque na minha estante se tivesse uma árvore genealógica ilustrada (fica a dica Editora Intrínseca). A verdade é que a mitologia nórdica ainda pode ser muito explorada, esse livro é praticamente um aperitivo, só nos resta esperar a inspiração bater novamente no Neil Gaiman, rs. E aí, qual a mitologia que vocês mais gostam?

Mitologia Nórdica
Autor
: Neil Gaiman  | Editora: Intrinseca
Páginas: 288 | ISBN: 9788551001288
Skoob | Goodreads
Para ler:  https://amzn.to/2X6KTI0

Ósculos e Amplexos, Karina.

Resenhas

Desafio Literário: As desqualificadas #DesafioDesqualificadas

21 de fevereiro de 2019
As desqualificadas

Nossa, estou ensaiando escrever esse post a semanas, mas precisamente há quase um mês. Só que a vida corrida e um monte de pendências que eu tive nesse inicio de ano não me permitiu, mas antes tarde do que nunca.

Eu sei que falei lá no final de 2018 e inicio de 2019 que não estava muito afim de iniciar em nenhum desafio/parceria ou qualquer loucura nesse ano que tivesse algo com o mundo literário e que pudesse direcionar as minhas leituras.

Mas aí as meninas do podcast As desqualificadas lançou esse desafio na internet e então fiquei tão empolgada com a proposta que não pude evitar e simplesmente embarcar nesse desafio. E foi então que eu abracei de vez.

O desafio As Desqualificadas tem como proposta ler livros escritos apenas por mulheres dentro de diversas categorias que elas escolheram previamente. São 24 categorias + 2 de bônus.

As desqualificadas

Com esse esqueminha aí de cima na mão, decidi escolher minhas leituras. Confesso que encaixei alguns livros do desafio 12 livros para 2019, para otimizar a coisa e como também estou fazendo o desafio de não comprar livros durante esse ano inteiro, as leituras precisariam encaixar nos livros que eu tenho aqui em casa, ou na biblioteca que eu trabalho, ou que eu pudesse pegar nas bibliotecas públicas daqui da cidade de São Paulo.

Deu um baita trabalho, mas fiquei bem satisfeita com a minha lista final. Durante as escolhas, alguns livros fiquei bem em duvida em quais escolher e com isso decidi compartilhar a minha e dar mais 2 sugestões de livros. Acho que vai ajudar muita gente que não está conseguindo encontrar livros para determinadas categorias do desafio. Vamos então a lista:

Desafio As Desqualificadas

1 – Escrito por uma mulher negra

  • A cor púrpura, de Alice Walker (minha escolha)
  • Meio sol Amarelo, de Chimamanda Ngozi Adichie
  • Quarto de despejo, Carolina Maria de Jesus

2 – Livro de Ficção Científica

  • Kindred, da Octavia E. Butler (minha escolha)
  • A mão esquerda da escuridão, da Ursula Le Guin
  • Justiça Ancilar, de Ann Leckie

3 – Autora Africana

  • Americanah, da Chimamanda Ngozi Adichie
  • Nossa senhora do Nilo, de Scholastique Mukasonga
  • Cidadã de segunda classe, de Buchi Emecheta

4 – Autora brasileira

  • O quinze, da Raquel de Queiroz
  • Laços de família, de Clarice Lispector
  • Antes do baile verde, de Lygia Fagundes Telles

5 – Livro infantil

  • A bolsa amarela, de Lygia Bojunga
  • Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado
  • O reizinho mandão, de Ruth Rocha

6 – História de gerações familiares

  • Mulherzinhas, de Louisa May Alcott
  • A casa dos espíritos, de Isabel Allende
  • As mil partes do meu coração, de Colleen Hoover

7 – História Feminina Cientista

  • Playboy Irresistível, de Christina Lauren

Essa foi uma das categorias foi uma das mais dificeis. Por isso, só deixei uma sugestão.

8 – Livro de poesia

  • Histórias dos becos de Goiás, Cora Coralina
  • Da poesia, Hilda Hilst
  • Poesia de Florbela Espanca V.1, de Florbela Espanca

9 – História em Quadrinhos

  • Nimona, de Noelle Stevenson
  • Persépolis, Marjane Satrapi
  • Placas Tectonicas, da Margoux Motim

10 – Sobre uma mulher atleta

  • Impáravel: minha vida até aqui, de Maria Sharapova

Outra categoria que tive muita dificuldade de encontrar um livro. Deixei só uma sugestão.

11 – Livro com alguma religião que não seja a sua

  • A viagem de Théo, de Catherine Clement
  • Violetas na janela, de Patricia (espirito)
  • Persépolis, de Marjane Satrapi

Essa categoria é bem complicada, já que religião é algo pessoal. A viagem de Theo é um livro que serve como sugestão para pessoas de várias religiões. Mas as outras indicações irão servir para as pessoas católicas como eu.

12 – Livro vencedor de algum prêmio

  • O peso do pássaro morto
  • O pintassilgo, da Donna Tartt
  • A Visita Cruel do Tempo, Jennifer Egan
Outras sugestões para o desafio

13 – Releitura de um clássico

  • A hora da estrela, Clarice Lispector
  • Orgulho e preconceito, de Jane Austen
  • Orlando, Virginia Woolf

14 – Livro publicado antes de 1945

  • Mary Poppins, P.L. Travers
  • Jane Eyre, de Charlotte Bronte
  • A falência, de Júlia Lopes de Almeida

15 – Autora asiática

  • Eu sou malala, Malala Yousafzai
  • Cinderela chinesa, Adeline Yen Mah
  • Por favor, cuide da mamãe, de Kyung-Sook Shin

16 – Autora indígena

  • Metade cara, metade máscara, de Eliane Potiguara
  • Com a noite veio o sono, de Lia Minapoty
  • Criaturas de Ñanderu, de Graúna Graça

17 – Autora latino-americana

  • A casa dos espíritos, de Isabel Allende
  • Garotas Mortas, Selva Almada
  • O país das mulheres, de Gioconda Belli

18 – Literatura LGBTQ+

  • O mau exemplo de Cameron Post, de Emily M. Danforth
  • Com amor, Simon, de Becky Albertalli
  • O Guia do Cavalheiro Para o Vício e a Virtude, de Mackenzie Lee

19 – Escrito por uma mulher transexual

  • A menina submersa, Caitlín R. Kiernan
  • Apenas uma garota, de Meredith Russo
  • Todos os pássaros no céu, de Charlie Jane Anders

20 – Livro de terror

  • Frankenstein, de Mary Shelley
  • Rebecca: A mulher inesquecível, de Daphne du Maurier
  • Bom dia Veronica, de Andrea Killmore

21 – Livro lançado em 2019

Ainda não sei qual livro colocar nessa lista. Vamos ver o que no aguarda para 2019.

22 – Livro comprado pela capa

  • Karem, de Ana Teresa Pereira
  • Estamos bem, Nina La Cour
  • Linhas, de Sophia Bennett

23 – Livro de uma série

  • A rainha da fofoca, de Meg Cabot
  • A amiga genial, de Elena Ferrante
  • As brumas de Avalon V.1, de Marion Zimmer Bradley

24 – Literatura juvenil escrito por uma mulher negra

  • O ódio que você semeia, de Angie Thomas
  • Meu crespo é de rainha, bell hooks
  • O sol também é uma estrela, Nicola Yoon

Categorias Bônus

  • Bonus #25 – Livro escrito por uma autora do seu estado
  • Bonus #26 – Livro escrito por uma autora da sua cidade

Não escolhi nenhum livro para essas categorias bônus, porque simplesmente daria um trabalhinho, mas acho que sem querer acabei encaixando outros livros nelas.


Estou muito empolgada com o Desafio As desqualificadas e já está rolando algumas leituras. Vou compartilhar os livros lá no Instagram (@prateleiradecima) e se estiverem atrás de mais inspiração confira o vídeo lá no canal.

Para saber mais sobre as meninas do podcast As desqualificadas, é só segui-las nas redes sociais: Site | Twitter | Instagram | Facebook

Já conheciam o Desafio As desqualificadas?? Se empolgaram para ler mais mulheres? Me conta nos comentários o que irão ler!

Resenhas

Amores eternos de um dia, de Michele Contel

19 de fevereiro de 2019

Procurando ou não romance (ou sexo) nos Tinders e Happns da vida, este é um livro para você pensar, se divertir e entender melhor a nossa época.

Como identificar um boy lixo? O que fazer quando VOCÊ age como um boy lixo? Como lidar com o ghosting? A jornalista Michele Contel tenta responder a essas e outras perguntas em seu primeiro livro, Amores eternos de um dia. Escrito com sensibilidade e leveza, ele ajuda a desmitificar o casamento de romance com tecnologia, combinando reflexões autobiográficas com ficção. A autora defende que sim, pode haver sentimento por trás de um match no Tinder ou no Happn. E não, isso não significa que é errado aderir aos apps só por diversão. Um livro original, que vai fazer você repensar tudo o que sabia sobre o amor nos tempos do like.
Fonte da sinopse: Paralela

Depois de ter lido esse livro há anos, finalmente estou fazendo a resenha de Amores eternos de um dia, da Michele Contel, publicado pela Editora Paralela.

Para começar, quero falar da autora. Sim, a Michele Contel. Eu já seguia a Contel desde muito tempo, por conta do seu blog My Other Bag is Chanel. Adoro os textos dela e sigo sua conta no Instagram há bastante tempo. Eu não sei se a Michele deixou a história do livro na surdina e surpresa ou se a rede social sacaneou e escondeu isso de mim… a questão é que simplesmente só fiquei sabendo do lançamento do livro quando ele realmente foi lançado.

Comecei a ler por conta da minha conta no NetGalley, a Companhia das Letras liberou lá na plataforma e logo baixei. Confesso que ele ficou no banho-maria um tempo por conta de outras leituras, mas logo que peguei o livro, a leitura super fluiu.

Amores eternos de um dia

Quem nunca encontrou uma pessoa um dia (ou uma noite) e notou tantas afinidades e coisas em comum que achou que finalmente tinha encontrado o amor dos sonhos, mas no dia seguinte acabou recebendo um tchau até breve que na verdade era um adeus??? Parabéns você vivei um amor eterno de um dia (ou de uma noite, como queira!) E são essas e tantas outras situações nas relações amorosas, sejam as iniciadas via aplicativo ou não, sejam reais ou fictícias que a Michele Contel irá nos contar.

Amores eternos de um dia é um livro que fará uma reflexão sobre os relacionamentos nos novos tempos e com as novas tecnologias. Eu juro que achei que seria um livro sobre como usar os aplicativos de relacionamentos e que a pegada seria quase que de um guia. Mas o livro me surpreendeu em muitos aspectos.

Pode esquecer essa ideia de guia. O livro é tudo menos um guia de como achar um Boy (ou uma Gal) para você. Baseado em algumas experiencias da autora, o livro fala sobre relacionamentos e como essa busca pelo par perfeito pode ser muito louco e devastador; como os tempos atuais se refletem nas relações amorosas (as vezes nas familiares e de amizade também) tornando tudo muito efêmero e sem vínculos; e como a busca por uma relação pode ser uma maneira de fazer um autoconhecimento.

Amores eternos de um dia tem a mínima intenção de ser regratória sobre o amor e os encontros amorosos. Você irá ver como é a busca por relacionamentos (ou por sexo) através dos aplicativos. Os sinais errados que recebemos (ou que emitimos) sobre os flertes que temos. O livro também irá tratar sobre sermos sinceros no que queremos pode ajudar o outro a entender a posição dele na relação; sobre aquele amor que você tinha certeza que algum dia podia virar casamento, no final era nada mais que um passatempo (seja de um lado ou do outro).

Ela mostra também que não só os rapazes, mas que as meninas também, podem se comportar como boys-lixos e fiquei imaginando quantas vezes eu já não me comportei como tal. É bem interessante que a todo momento ela faz esse paralelo: que atitudes e comportamentos podem vir de ambos os sexos.

Contel tem uma maneira de escrever o livro muito fluída e delicada. E a sensação que parece que estamos em um bate-papo jogados no chão da casa dela com uma boa garrafa de vinho e petiscos, virando a madrugada entre risos e choros falando de amores perfeitos e perdidos.

Uma das coisas que mais gostei no livro é sobre o autocuidado que precisamos nos dar ao pensar em nos relacionar com o outro ou quando passamos por algum término. Permitir a reclusão, a reflexão e um espaço para colocar as coisas e as ideias no lugar é muito importante para que possamos estar prontos para um próximo relacionamento.

Apesar de estar em um relacionamento há bastante tempo e não ter vivido a era dos aplicativos, me vi em muitas situações relatadas na época de solteira. Vivi muitas situações: a da época solteira que só queria curtição; a época que buscava um relacionamento e me frustrava a cada encontro e também consegui perceber que, sim, eu já me comportei como boy-lixo.

O livro é uma ótima pedida para aqueles que estão atrás de entender como o mundo dos relacionamentos (líquidos ou não) em tempos de tecnologia funcionam. Um ótimo presente para aquela sua amiga que está atrás do amor da vida dela no primeiro carinha que sorri diferente para ela. Ou aquela que acha que estar viva é estar com alguém.

Amores eternos de um dia
Autora: Michele Contel | Editora: Paralela
Páginas:  ISBN:
Skoob | Goodreads
Para ler: https://amzn.to/2VcGUYH


Mil beijos e até mais!

Resenhas

Bordados, da Marjane Satrapi

18 de fevereiro de 2019
Bordados

Os almoços de família na casa da avó de Marjane Satrapi, em Teerã, terminavam sempre com o mesmo ritual: enquanto os homens iam fazer a sesta, as mulheres lavavam a louça. Logo depois começava uma sessão cujo acesso só era permitido a elas – o “bordado”, tema deste que é o terceiro livro de Satrapi publicado pela Companhia das Letras. Os leitores de Persépolis reconhecerão aqui as marcas registradas da autora: o humor cortante, o traço simples em preto e branco, o feminismo mordaz, jamais patrulheiro. O “bordado” iraniano seria equivalente ao brasileiríssimo “tricô”, não fosse uma acepção bastante particular: a expressão designa também a cirurgia de reconstituição do hímen, uma decisão pragmática para as mulheres que não abrem mão de ter vida sexual antes do casamento mas sabem que precisam corresponder às expectativas das forças moralistas do país. O grupo que se reúne na casa da avó de Marjane, a mesma que conhecemos em Persépolis, é uma amostra de mulheres com moral e experiência bastante variadas, mas sempre às voltas com o machismo e a tradição, sobretudo depois da Revolução Islâmica (1979). Casamentos malfadados, virgindades roubadas, adultérios, frustrações, golpes e autoenganos, narrados com a ironia tão peculiar à autora, mostram que no Irã amar e desamar pode ser ainda mais complicado do que podemos supor.

Fonte da Sinopse: Quadrinhos na Cia

Depois de conhecer Marjane por “Persépolis” através do clube de leitura da Emma Watson eu decidi que queria ler tudo dessa autora iraniana, então “Bordados” é a segunda obra da Marjane Satrapi a qual eu tenho contato, a história é diferente de “Persépolis”, embora “Bordados” seja uma obra menor, mais específica e que abrange problemas/costumes mais específicos, Marjane consegue elaborar um material riquíssimo culturalmente. A história começa no momento em que os homens da família Satrapi fazem uma cesta após o almoço e as mulheres fazem um chá chamado Samovar.

É em um momento de conversas domésticas e simples que temas muito importantes são abordados e apresentados para o leitor; com um tom leve e divertido trata de assuntos delicados e tabu em muitas sociedades. As histórias transitam entre mulheres que tiveram sorte em seus casamentos, outras nem tanto, umas que resolveram seguir os próprios desejos e não se arrependeram, enquanto as que se arrependeram e tiveram que lidar com as consequências.

Sabe aquela conversa que sempre temos com as amigas pelo whatsapp ou com a família quando as mulheres se juntam? É exatamente isso que acontece em “Bordados”, mas num contexto diferente, já que a cultura Iraniana tem suas peculiaridades; o cunho das conversas são os casamentos, romances e suas vidas sexuais. Em alguns lugares ou para algumas pessoas esses temas são tabus universais e na realidade iraniana, que tem o peso de uma cultura conservadora sobretudo para as mulheres, nos mostra como elas lidam com isso de maneiras diversas.

Fica claro as questões de gênero, o título faz alusão a uma cirurgia de reconstituição do hímen e com uma linguagem fácil e humorística Marjane experimenta um storyboards sem delimitações, o traço é simples e os textos em forma de caligrafia que nos leva a conhecer histórias de mulheres diversas, umas dizem que é melhor ser a amante do que a esposa uma vez que a amante fica apenas com a parte boa da relação; outra relata que mesmo sendo casada a anos e tendo quatro filhos nunca viu um pênis na vida.

Esse é um quadrinho diferente de “Persépolis”, mas que carrega uma mensagem tão importante quanto, até no meio dos momentos engraçados a mensagem entregue vai muito além da troca de experiências comum daquele momento em particular, ele suscita a ideia de que no Irã, no Brasil ou em qualquer outro canto do planeta há milhares de situações tabus que envolvem a sexualidade da mulher e o que a sociedade espera delas.

Bordados
Autor
: Marjane Satrapi | Editora: Quadrinhos na Cia
Páginas:  136 | ISBN: 13:9788535916218
Skoob | Goodreads
Para ler:  https://amzn.to/2V3ni9e

Ósculos e Amplexos, Karina.

Resenhas

Book Love, de Debbie Tung

14 de fevereiro de 2019
Book Love

Em um dia qualquer uma amiga me chama no WhatsApp e me mostra um livro. E ela simplesmente me obriga a conhecer um livro pois eu tinha o dever de ler já que falo tanto de livros o quanto digo que os amo. 

Era mandatário que eu tenho a obrigação de ler esse livro se eu realmente amo tanto livros quanto eu digo por aí. 

Então, eu leio e me apaixono. Esse livro é sobre mim, a Debbie Tung se inspirou em mim para escrever as tirinhas sobre essa menina que ama tanto livros e conhecer histórias.

Book love é uma ode aos livros e as pessoas que amam livros e histórias. É uma homenagem, um presente para todos os amantes desse objeto tão maravilhoso e capaz de nos transportar par mundos reais e imaginários.

Book Love

Desde a primeira tirinha, eu fiquei enlouquecida com esse livro. A autora conseguiu expressar todos os sentimentos que os fãs de livros possuem ao estar em contato com seu objeto de adoração. 

As tirinhas retratam o cotidiano dos leitores e todas as situações que temos ao nos depararmos com histórias incríveis. O amor ao livro, a sensação inexplicável ao entrar em uma biblioteca ou livraria, as aflições por um final inexplicável ou implacável. É um carinho que eu realmente não consigo explicar. 

Um outro detalhe bem bacana é que Tung ao desenhar e escrever as tirinhas consegue transparecer a importancia que os livros possuem na vida das pessoas, para seu crescimento como cidadão transformador. Não está explicito, mas está lá em cada quadrinho desenhado.

Book love é um livro bem curtinho e é uma ótima  dica de presente. Eu só  acho que todo mundo que realmente diz que ama livros e histórias deveria lê-lo. Infelizmente ele ainda não tem uma versão em português, mas já estamos na torcida para alguma editora bem bacana trazer ele para cá. Vai ser um sucesso.

Book Love
Autora: Debbie Tung | Editora: Andrews McMeel Publishing
Páginas:  144 | ISBN: 9781449494285
Skoob | Goodreads
Para ler: https://amzn.to/2TP2bHv


Mil beijos e até mais!