8 anos de Prateleira de Cima

22 de janeiro de 2019

Há 8 anos atrás, eu decidi abrir a minha vida na internet: criei um blog. Havia alguns meses que tinha chegado em São Paulo. Estava longe da minha família, dos meus amigos e dos lugares que gostava de ir. Estava em uma cidade em que eu conhecia nada e ninguém. A internet e a solidão eram grandes companheiras. Passava horas sozinha em casa, navegando por esses confins de bits e bytes, lia inúmeros textos de pessoas que compartilhavam um pouco da sua vida. E então me sentia um pouco menos só. Mas também sentia uma vontade enorme de compartilhar um pouco do que estava sentindo e vivendo.

E então foi assim que a ideia do Prateleira de Cima surgiu. O blog era (ainda é!) o meu refúgio, o lugar que eu podia falar e conversar, dividir angústias, compartilhar momentos, conhecer gente. Fiz muitos amigos. Aprendi (e ainda estou aprendendo) muitas coisas. Posso dizer que, muito do que sou, é graças ao blog e a tudo que vivi, li, ouvi, assisti e experimentei nesses 8 (e até mais) anos que ele existe.

Mas quem me acompanha desde o inicio (até mesmo depois) sabe que muita coisa mudou por aqui. E depois desses 8 anos de blogagem no Prateleira de Cima, senti que estava na hora de uma renovação, de uma mudança.

O Prateleira de Cima tinha como proposta ser o meu espaço pessoal, o lugar que iria falar da minha vida, dos meus pensamentos, o lugar de compartilhar momentos e experiências. Como vocês já estão cansados de saber sou bibliotecária e livros são parte da minha vida. Eu comecei a falar sobre eles por aqui e uma coisa foi puxando outra. Quando percebi o Prateleira de Cima se tornou o lugar no qual eu compartilhava muito mais coisas sobre livros e leituras do que sobre o que eu realmente tinha intenção que ele fosse quando o criei lá atrás.

No entanto, eu comecei a sentir que  os textos pessoais, os posts sobre os momentos que eu vivia e queria compartilhar não cabiam mais por aqui. Eu também sentia que os leitores já não aguentavam mais chegar no blog e só ver resenha de livros ou vídeos sobre os livros ou qualquer coisa sobre livros. Confesso que eu também sentia falta de escrever sobre outras coisas, mas precisava liberar uma resenha para alguma parceria que estava fazendo ou precisava publicar o post da colaboradora. E estava ficando com uma lista de textos para depois nos rascunhos

O que realmente estava acontecendo era que o Prateleira de Cima estava mudando de perfil e eu não estava sabendo lidar com isso. Eu queria escrever e continuar escrevendo e quanto mais eu pensava nisso, mas sentia que os meus posts pessoais não se encaixavam mais nesse espaço. Eu havia mudado desde aquele momento que criei o Prateleira de Cima, não era mais a menina recém chegada a São Paulo, que navegava na internet para aplacar a solidão de estar tão longe de casa. Eu mudei e o blog já não refletia mais essa nova pessoa que me tornei.

Com tudo isso, eu decidi que precisava mudar e precisava continuar escrevendo de qualquer forma. E foi então que eu decidi criar um novo blog: o Pequena Karin. Eu sei, eu sei, eu sei. Vocês dirão que “os blogs estão morrendo”, “ninguém mais lê blogs” e etc. Mas posso ser sincera: Tô nem aí! Fui contra a maré e criei um novo blog.

Calma, calma. Não se desesperem, caros leitores. O Prateleira de Cima vai continuar existindo. Vamos por partes.

O Pequena Karin vai se tornar o meu blog pessoal, o lugar que irei compartilhar a minha vida, os meus textos e pensamentos. Sabe aquilo tudo que pensei quando criei o Prateleira de Cima?? Então, vai estar no Pequena Karin a partir de agora. Eu já estava ensaiando essa mudança há mais de 6 meses. É um novo espaço que reflete essa nova Karin de 33 anos (com alma de 21, lembram?) com novos sonhos e anseios.

Mas o Prateleira de Cima irá acabar??? Nãoooooo!!!! Eu nunca poderia fazer isso com ele. Ele ficará por aqui até o fim da minha vida. Tenho um apego enorme por ele que nem sei como seria minha vida sem. O Prateleira de Cima se tornará meu blog literário. O lugar onde falarei só sobre livros, sobre minhas leituras e tudo relacionado a esse universo. Enquanto que o Pequena Karin será meu blog pessoal onde compartilharei momentos, experiências, pensamentos e opiniões. Os posts por lá serão mais autorais, recheados de devaneios e reflexões. Agora vai ficar tudo no seu devido lugar.

Eu estou muito empolgada com essa novidade e com esse novo momento para os dois blogs. Vai ser divertido poder compartilhar as minhas paixões com um novo gás.

Quero agradecer a todo mundo que passou por aqui (e ainda vai passar) nesses 8 anos de Prateleira de Cima. Cada visita, cada comentário, cada compartilhamento, cada parceria deixou uma sementinha em meu ser. Sou muito grata ao blog e a vocês que ajudaram a me tornar parte do que sou hoje. É bem difícil expressar esse sentimento de alegria.


Mil beijos e até mais!

P.S.: As imagens desse post foram feitas pela talentossísima Sharon Smith. Saudades, menina!

Adulta sim, madura nem sempre, da Camila Fremder

28 de dezembro de 2018
Adulta sim madura nem sempre

Sabe aquele livro que você pega e não quer largar nunca mais??? É isso que acontece quando você lê “Adulta sim, madura nem sempre”, da Camila Fremder.

Eu já acompanho a Camila nas redes sociais há bom tempo. Já li o outro livro dela feito com a colaboração da Jana Rosa, o “Enfim, 30”  e sabia que a leitura seria sucesso.

Adulta sim, madura nem sempre é um livro biográfico, mas o que está sendo retratado ali não mostra apenas a vida Camila Fremder. Reflete a realidade de muitos adultos na casa dos 30 que até agora não sabem realmente quando foi que a chave do “ser adulto” foi girada porque ainda nos sentimos com 18 anos e perdidos com o tudo isso que está acontecendo.

O livro é super divertido com capítulos curtos e texto amigável. Ele fala sobre o cotidiano, família, maternidade, amizade, trabalho e tantos outros temas que envolvem a vida adulta.

Me identifiquei muito com o livro em diversos capítulos. As pequenas crônicas do dia a dia ali relatadas é exatamente aquilo que vivemos nessa fase que ainda não compreendemos bem onde estamos. Altas risadas foram dadas durante a leitura por conta do tom bem humorado da Camila. Apesar de não ser mãe ainda, já deu para ter uma leve ideia do que esperar dessa fase.

É um livro leve, divertido e um ótimo refúgio para os momentos atribulados que estamos vivendo. Uma ótima indicação para você que está atrás de um presente para aquela sua amiga ou amigo que adora um livro super alto astral.

Ahhh! Sigam a Camila Fremder nas redes sociais (@cafremder). Ela é o tipo de pessoa que vocês querem ter como amiga e ir visitar levando bolo e café de coador. Sério, vocês não irão se arrepender e sentirão um pequeno gostinho das coisas que vão encontrar no livro.

Adulta sim, madura nem sempre
Autora: Camila Fremder | Editora: Paralela
Páginas:  120 | ISBN: 9788584391295
Skoob | Goodreads
Para ler:  Amazon

Ebooks natalinos escritos por brasileiros

24 de dezembro de 2018
ebooks natalinos

Véspera de Natal e estamos aqui fazendo o quê? Isso mesmo: indicações literárias do que ler nessa época festiva. Apesar de haver uma gama bem grande de livros natalinos, para todos os gêneros e gostos, a maioria deles mostram uma realidade bem diferente da que vivemos por aqui. Porém há uma série de ebooks de contos natalinos escritos por autores brasileiros.

No mês passado quando eu estava atrás de livros natalinos, acabei me deparando com uma série de ebooks de histórias natalinas escritas por autores brasileiros. Na real, eu já tinha visto alguma dessas histórias no ano passado, mas foi só nesse ano que fui atrás desses ebooks.

Para ajudar vocês fiz uma seleção de Livros natalinos escritos por brasileiros, muitos deles queridos pelos leitores.

Ebooks natalinos

Eu liberei um vídeo no canal mencionando esses livros e mostrando também outros livros maravilhosos para ler durante esse período de festas.

Vou aproveitar e desejar um Feliz Natal para todos os leitores do Prateleira de Cima e um ano de 2019 de muito sucesso para todos vocês.


Mil beijos e até mais!

Pequena biblioteca feminista

19 de dezembro de 2018

Uma das grandes coisas que acredito com a leitura e com os livros é o seu poder de mudar, de transformar, de evoluir o pensamento humano. A capacidade de quebrar paradigmas e tradições que já estão há muito tempo obsoletas em nossa sociedade moderna.

Os livros a cada dia tem me transformado, feito com que eu possa expandir o meu conhecimento e minha empatia com o mundo. E sempre serei grata a eles pelo o que tem sido capazes de fazer em minha vida. Afinal de contas, escolhi ser bibliotecária muito por conta disso.

E uma das coisas que os livros tem feito no últimos anos é aumentar o meu interesse sobre o Feminismo e sobre livros com temática feminista.

“Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos”. (Chimamanda Ngozi Adichie) 

Eu me considero uma feminista. Acho que desde criança. Nunca entendi muito porque esse lance de separar uma pessoa da outra apenas porque elas são de gêneros diferentes. Achava isso uma grande injustiça desde muito nova, lembro de episódios ainda criança quando nem compreendia bem a diferença de sexo biologicamente falando. Mas eu não me via feminista, principalmente porque quando eu era criança na minha cabeça a ideia de “mulher feminista”, era sobre as mulheres que foram para as ruas queimar sutiãs. Não sou militante, acho até um defeito meu. Mas tento construir um mundo mais igualitário da maneira que posso, principalmente desconstruindo o pensamento daqueles que estão ao meu redor.

Mas só depois de alguns livros (e artigos também) sobre a temática é que fui entender o que o feminismo realmente representa e o que ele defende. O interesse e a curiosidade foram crescendo e a busca por mais materiais sobre o tema ia só aumentando a minha lista de livros que quero ler. Esses livros são minha base para ajudar a exercer o meu pequeno papel de feminista (e também de bibliotecária) na desconstrução, na quebra de paradigmas e na orientação das pessoas que estão ao meu redor é que ainda não compreendem muito bem o que o feminismo representa para a nossa sociedade.

Um dia soube Clube do Livro Our Shared Shelf, criado e mantido pela Emma Watson (e colaboradores). Falo dele dele há um bom tempo por aqui (e também no canal do Youtube) e tenho mantido o post o mais atualizado possível. Tenho baseado muito as minhas leituras sobre o tema nessa lista, que além de livros sobre feminismo você também pode encontrar livros que irão tratar também sobre questões de gênero e muita literatura escrita por mulheres e sobre mulheres.

Mesmo assim senti que precisava de mais.

Tenho sempre encontrado sugestões e pedidos de indicações de leitura perdidos (e espalhados) pela internet e percebi que o interesse pelo tema tem crescido, mas as pessoas ainda continuam muito perdidas sobre o que ler. A gente sabe que tem muitos livros sobre, mas cada um irá tratar o tema de uma maneira diferente. E então por conta dessa necessidade e para ajudar quem está atrás de um compilado quase completo decidi criar essa lista intitulada Pequena biblioteca feminista.  para . E ent˜

A ideia do Pequena Biblioteca Feminista é uma lista que sirva de referência para pessoas que querem conhecer, entender e aprofundar o conhecimento sobre feminismo e sobre literatura feminista.

Não tenho a intenção de esgotar o assunto. Primeiro porque não sou uma expert na área (sou bibliotecária, lembram?), segundo porque seria bem insano tentar reunir todo o conhecimento sobre esse tema em um post de blog. E por último, quero que a intenção seja dar um pontapé inicial para aqueles que estão meio que perdidos nesse marzão de informação que é a internet.

Essa lista foi construída a partir do meu conhecimento prévio sobre os livros que retratam a temática e as sugestões que foram recolhidas pelas minhas contas no Instagram. Vão aparecer livros muito conhecidos e outros nem tantos. Livros técnicos e também aqueles que expressam o feminismo na forma de arte. Vou fazer um listão geral nesse primeiro momento, mas em breve devo separar por categorias que acho conveniente para melhorar a busca por livros mais parecidos. Vou aproveitar e deixar o convite para que vocês possam sugerir livros não-listados e que se encaixariam perfeitamente nessa pequena biblioteca.

Pequena biblioteca feminista (e sobre feminismo)

  • Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie
  • Para educar crianças feministas, Chimamanda Ngozi Adichie
  • Feminismo em comum, Marcia Tiburi
  • O segundo sexo, Simone de Beauvoir
  • O mito da beleza, Naomi Wolf
  • Mulheres que correm com lobos, Clarissa Pinkola Estés
  • Os monólogos da vagina, Eve Ensler
  • Como ser mulher, Caitlin Moran
  • O poder, Naomi Alderman
  • Argonautas, Maggie Nelson
  • Calibã e a bruxa, Silvia Federici
  • Homens explicam tudo para mim, Rebecca Solnit
  • Má feminista, Roxane Gay
  • Clube da Luta Feminista, Jessica Bennet
  • Um teto todo seu, de Virginia Woolf
  • Quem tem medo do feminismo negro?, Djamila Ribeiro
  • Persépolis, Marjane Satrapi
  • O peso do pássaro morto, Aline Bei
  • Mulheres, raça e classe, Angela Davis
  • Teoria King Kong, Virginie Despentes
  • O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras, bell hooks
  • Vox, Christina Dalcher
  • Mulheres e poder: Um manifesto, Mary Beard
  • Breve História do Feminismo, Carla Cristina Garcia
  • Profissões para mulheres e outros artigos feministas, Virginia Woolf
  • Reivindicação Dos Direitos Da Mulher, Mary Wollstonecraft
  • O conto da aia, Margaret Atwood
  • Inferior É o Car*lhø, Angela Saini
  • Explosão feminista: Arte, cultura, política e universidade, Heloísa Buarque de Hollanda
  • Terra das mulheres, Charlotte Perkins Gilman
  • O papel de parede amarelo, Charlotte Perkins Gilman
  • A origem do mundo: Uma história cultural da vagina ou a vulva vs. o patriarcado, Liv Strömquist
  • Ousadas Vol. 1: Mulheres que só fazem o que querem, Pénélope Bagieu
  • Qual o problema das mulheres?, Jackie Fleming
  • Feminists Don’t Wear Pink and Other Lies, Scarlett Curtis

Quero deixar claro aqui que você não precisa sair comprando todos esses livros que nem uma louca. O que recomendo é explorar as bibliotecas da sua cidade. Outra dica bem bacana que pode servir, é juntar um grupo pequeno de amigos e dividir as compras literárias: cada um compra um livro diferente e os livros vão circulando entre os integrantes. Eu fazia isso com minhas amigas quando estava na escola para comprar revista Capricho e dava super certo. Não precisa sair gastando tudo o que tem só para ter aquele livro imperdível que vai trazer uma nova teoria para resolver as questões sobre o feminismo. A final de contas a cultura do consumo tem grandes relações com a opressão feminina.

Vou aproveitar e deixar meu agradecimento a Isa e a Gabi que tem fomentado em minha essa ânsia por conhecimento sobre o feminismo e as questões de gênero. Muitas das indicações literárias da lista acima são graças a elas e suas leituras. Elas são as principais, mas estou cercada de mulheres maravilhosas indicando livros feministas maravilhosos também. Obrigada meninas!!!

Espero que a Pequena Biblioteca Feminista sirva de referência para todos aqueles que estão atrás de livros feministas e sobre feminismo. Que seja um norte para que possamos quebrar paradigmas e lutar por um mundo onde possamos ter igualdade de oportunidades e direitos entre homens e mulheres.

Faltou algum livro que você acha que não pode faltar nessa lista? Deixe a sua sugestão nos comentários. Aproveite para compartilhar esse post para mais pessoas terem acesso a essa lista ou quem sabe aquela indireta para presente. Como disse uma amiga: “Vamos espalhar a palavra!”.


Mil beijos e até mais!