Amores eternos de um dia, de Michele Contel

19 de fevereiro de 2019

Procurando ou não romance (ou sexo) nos Tinders e Happns da vida, este é um livro para você pensar, se divertir e entender melhor a nossa época.

Como identificar um boy lixo? O que fazer quando VOCÊ age como um boy lixo? Como lidar com o ghosting? A jornalista Michele Contel tenta responder a essas e outras perguntas em seu primeiro livro, Amores eternos de um dia. Escrito com sensibilidade e leveza, ele ajuda a desmitificar o casamento de romance com tecnologia, combinando reflexões autobiográficas com ficção. A autora defende que sim, pode haver sentimento por trás de um match no Tinder ou no Happn. E não, isso não significa que é errado aderir aos apps só por diversão. Um livro original, que vai fazer você repensar tudo o que sabia sobre o amor nos tempos do like.
Fonte da sinopse: Paralela

Depois de ter lido esse livro há anos, finalmente estou fazendo a resenha de Amores eternos de um dia, da Michele Contel, publicado pela Editora Paralela.

Para começar, quero falar da autora. Sim, a Michele Contel. Eu já seguia a Contel desde muito tempo, por conta do seu blog My Other Bag is Chanel. Adoro os textos dela e sigo sua conta no Instagram há bastante tempo. Eu não sei se a Michele deixou a história do livro na surdina e surpresa ou se a rede social sacaneou e escondeu isso de mim… a questão é que simplesmente só fiquei sabendo do lançamento do livro quando ele realmente foi lançado.

Comecei a ler por conta da minha conta no NetGalley, a Companhia das Letras liberou lá na plataforma e logo baixei. Confesso que ele ficou no banho-maria um tempo por conta de outras leituras, mas logo que peguei o livro, a leitura super fluiu.

Amores eternos de um dia

Quem nunca encontrou uma pessoa um dia (ou uma noite) e notou tantas afinidades e coisas em comum que achou que finalmente tinha encontrado o amor dos sonhos, mas no dia seguinte acabou recebendo um tchau até breve que na verdade era um adeus??? Parabéns você vivei um amor eterno de um dia (ou de uma noite, como queira!) E são essas e tantas outras situações nas relações amorosas, sejam as iniciadas via aplicativo ou não, sejam reais ou fictícias que a Michele Contel irá nos contar.

Amores eternos de um dia é um livro que fará uma reflexão sobre os relacionamentos nos novos tempos e com as novas tecnologias. Eu juro que achei que seria um livro sobre como usar os aplicativos de relacionamentos e que a pegada seria quase que de um guia. Mas o livro me surpreendeu em muitos aspectos.

Pode esquecer essa ideia de guia. O livro é tudo menos um guia de como achar um Boy (ou uma Gal) para você. Baseado em algumas experiencias da autora, o livro fala sobre relacionamentos e como essa busca pelo par perfeito pode ser muito louco e devastador; como os tempos atuais se refletem nas relações amorosas (as vezes nas familiares e de amizade também) tornando tudo muito efêmero e sem vínculos; e como a busca por uma relação pode ser uma maneira de fazer um autoconhecimento.

Amores eternos de um dia tem a mínima intenção de ser regratória sobre o amor e os encontros amorosos. Você irá ver como é a busca por relacionamentos (ou por sexo) através dos aplicativos. Os sinais errados que recebemos (ou que emitimos) sobre os flertes que temos. O livro também irá tratar sobre sermos sinceros no que queremos pode ajudar o outro a entender a posição dele na relação; sobre aquele amor que você tinha certeza que algum dia podia virar casamento, no final era nada mais que um passatempo (seja de um lado ou do outro).

Ela mostra também que não só os rapazes, mas que as meninas também, podem se comportar como boys-lixos e fiquei imaginando quantas vezes eu já não me comportei como tal. É bem interessante que a todo momento ela faz esse paralelo: que atitudes e comportamentos podem vir de ambos os sexos.

Contel tem uma maneira de escrever o livro muito fluída e delicada. E a sensação que parece que estamos em um bate-papo jogados no chão da casa dela com uma boa garrafa de vinho e petiscos, virando a madrugada entre risos e choros falando de amores perfeitos e perdidos.

Uma das coisas que mais gostei no livro é sobre o autocuidado que precisamos nos dar ao pensar em nos relacionar com o outro ou quando passamos por algum término. Permitir a reclusão, a reflexão e um espaço para colocar as coisas e as ideias no lugar é muito importante para que possamos estar prontos para um próximo relacionamento.

Apesar de estar em um relacionamento há bastante tempo e não ter vivido a era dos aplicativos, me vi em muitas situações relatadas na época de solteira. Vivi muitas situações: a da época solteira que só queria curtição; a época que buscava um relacionamento e me frustrava a cada encontro e também consegui perceber que, sim, eu já me comportei como boy-lixo.

O livro é uma ótima pedida para aqueles que estão atrás de entender como o mundo dos relacionamentos (líquidos ou não) em tempos de tecnologia funcionam. Um ótimo presente para aquela sua amiga que está atrás do amor da vida dela no primeiro carinha que sorri diferente para ela. Ou aquela que acha que estar viva é estar com alguém.

Amores eternos de um dia
Autora: Michele Contel | Editora: Paralela
Páginas:  ISBN:
Skoob | Goodreads
Para ler: https://amzn.to/2VcGUYH


Mil beijos e até mais!

Bordados, da Marjane Satrapi

18 de fevereiro de 2019
Bordados

Os almoços de família na casa da avó de Marjane Satrapi, em Teerã, terminavam sempre com o mesmo ritual: enquanto os homens iam fazer a sesta, as mulheres lavavam a louça. Logo depois começava uma sessão cujo acesso só era permitido a elas – o “bordado”, tema deste que é o terceiro livro de Satrapi publicado pela Companhia das Letras. Os leitores de Persépolis reconhecerão aqui as marcas registradas da autora: o humor cortante, o traço simples em preto e branco, o feminismo mordaz, jamais patrulheiro. O “bordado” iraniano seria equivalente ao brasileiríssimo “tricô”, não fosse uma acepção bastante particular: a expressão designa também a cirurgia de reconstituição do hímen, uma decisão pragmática para as mulheres que não abrem mão de ter vida sexual antes do casamento mas sabem que precisam corresponder às expectativas das forças moralistas do país. O grupo que se reúne na casa da avó de Marjane, a mesma que conhecemos em Persépolis, é uma amostra de mulheres com moral e experiência bastante variadas, mas sempre às voltas com o machismo e a tradição, sobretudo depois da Revolução Islâmica (1979). Casamentos malfadados, virgindades roubadas, adultérios, frustrações, golpes e autoenganos, narrados com a ironia tão peculiar à autora, mostram que no Irã amar e desamar pode ser ainda mais complicado do que podemos supor.

Fonte da Sinopse: Quadrinhos na Cia

Depois de conhecer Marjane por “Persépolis” através do clube de leitura da Emma Watson eu decidi que queria ler tudo dessa autora iraniana, então “Bordados” é a segunda obra da Marjane Satrapi a qual eu tenho contato, a história é diferente de “Persépolis”, embora “Bordados” seja uma obra menor, mais específica e que abrange problemas/costumes mais específicos, Marjane consegue elaborar um material riquíssimo culturalmente. A história começa no momento em que os homens da família Satrapi fazem uma cesta após o almoço e as mulheres fazem um chá chamado Samovar.

É em um momento de conversas domésticas e simples que temas muito importantes são abordados e apresentados para o leitor; com um tom leve e divertido trata de assuntos delicados e tabu em muitas sociedades. As histórias transitam entre mulheres que tiveram sorte em seus casamentos, outras nem tanto, umas que resolveram seguir os próprios desejos e não se arrependeram, enquanto as que se arrependeram e tiveram que lidar com as consequências.

Sabe aquela conversa que sempre temos com as amigas pelo whatsapp ou com a família quando as mulheres se juntam? É exatamente isso que acontece em “Bordados”, mas num contexto diferente, já que a cultura Iraniana tem suas peculiaridades; o cunho das conversas são os casamentos, romances e suas vidas sexuais. Em alguns lugares ou para algumas pessoas esses temas são tabus universais e na realidade iraniana, que tem o peso de uma cultura conservadora sobretudo para as mulheres, nos mostra como elas lidam com isso de maneiras diversas.

Fica claro as questões de gênero, o título faz alusão a uma cirurgia de reconstituição do hímen e com uma linguagem fácil e humorística Marjane experimenta um storyboards sem delimitações, o traço é simples e os textos em forma de caligrafia que nos leva a conhecer histórias de mulheres diversas, umas dizem que é melhor ser a amante do que a esposa uma vez que a amante fica apenas com a parte boa da relação; outra relata que mesmo sendo casada a anos e tendo quatro filhos nunca viu um pênis na vida.

Esse é um quadrinho diferente de “Persépolis”, mas que carrega uma mensagem tão importante quanto, até no meio dos momentos engraçados a mensagem entregue vai muito além da troca de experiências comum daquele momento em particular, ele suscita a ideia de que no Irã, no Brasil ou em qualquer outro canto do planeta há milhares de situações tabus que envolvem a sexualidade da mulher e o que a sociedade espera delas.

Bordados
Autor
: Marjane Satrapi | Editora: Quadrinhos na Cia
Páginas:  136 | ISBN: 13:9788535916218
Skoob | Goodreads
Para ler:  https://amzn.to/2V3ni9e

Ósculos e Amplexos, Karina.

Book Love, de Debbie Tung

14 de fevereiro de 2019
Book Love

Em um dia qualquer uma amiga me chama no WhatsApp e me mostra um livro. E ela simplesmente me obriga a conhecer um livro pois eu tinha o dever de ler já que falo tanto de livros o quanto digo que os amo. 

Era mandatário que eu tenho a obrigação de ler esse livro se eu realmente amo tanto livros quanto eu digo por aí. 

Então, eu leio e me apaixono. Esse livro é sobre mim, a Debbie Tung se inspirou em mim para escrever as tirinhas sobre essa menina que ama tanto livros e conhecer histórias.

Book love é uma ode aos livros e as pessoas que amam livros e histórias. É uma homenagem, um presente para todos os amantes desse objeto tão maravilhoso e capaz de nos transportar par mundos reais e imaginários.

Book Love

Desde a primeira tirinha, eu fiquei enlouquecida com esse livro. A autora conseguiu expressar todos os sentimentos que os fãs de livros possuem ao estar em contato com seu objeto de adoração. 

As tirinhas retratam o cotidiano dos leitores e todas as situações que temos ao nos depararmos com histórias incríveis. O amor ao livro, a sensação inexplicável ao entrar em uma biblioteca ou livraria, as aflições por um final inexplicável ou implacável. É um carinho que eu realmente não consigo explicar. 

Um outro detalhe bem bacana é que Tung ao desenhar e escrever as tirinhas consegue transparecer a importancia que os livros possuem na vida das pessoas, para seu crescimento como cidadão transformador. Não está explicito, mas está lá em cada quadrinho desenhado.

Book love é um livro bem curtinho e é uma ótima  dica de presente. Eu só  acho que todo mundo que realmente diz que ama livros e histórias deveria lê-lo. Infelizmente ele ainda não tem uma versão em português, mas já estamos na torcida para alguma editora bem bacana trazer ele para cá. Vai ser um sucesso.

Book Love
Autora: Debbie Tung | Editora: Andrews McMeel Publishing
Páginas:  144 | ISBN: 9781449494285
Skoob | Goodreads
Para ler: https://amzn.to/2TP2bHv


Mil beijos e até mais!

O bazar dos sonhos ruins, de Stephen King

26 de janeiro de 2019
O bazar dos sonhos ruins

Mestre das histórias curtas, o que Stephen King oferece neste livro é uma coleção generosa de contos – muitos deles inéditos no Brasil. E, antes de cada história, o autor faz pequenos comentários autobiográficos, revelando quando, onde, por que e como veio a escrever (ou reescrever) cada uma delas. Temas eletrizantes interligam os contos; moralidade, vida após a morte, culpa, erros que não cometeríamos se pudéssemos voltar no tempo… Muitos deles são protagonizados por personagens no fim da vida, relembrando seus crimes e pecados. Outros falam de pessoas descobrindo superpoderes – como o colunista, em “Obituários”, que consegue matar pessoas ao escrever sobre suas mortes. Incríveis, bizarros e completamente envolventes, essas histórias formam uma das melhores obras do mestre do terror, um presente para seus Leitores Fiéis.

Fonte da sinopse: Suma de Letras

“O Bazar De Sonhos Ruins” é um livro que reúne 20 contos; contos sombrios de uma das mentes mais brilhantes que já li (King quer ser meu BFF?). Mesmo que a maioria das pessoas não goste de contos por ser uma estrutura narrativa que não consegue se aprofundar muito, aqui é exatamente essa a ideia, deixar o leitor com um gosto de quero mais.

Já chega de papo. Talvez você queria comprar algum dos meus produtos agora, não? Tudo o que você vê foi feito à mão, e apesar de eu amar cada um deles, fico feliz em vendê-los, porque os fiz especialmente para você. Fique à vontade para examinar todos, mas tome cuidado, por favor. Os melhores têm dentes.

KING, Stephen.

Essa citação está no final da introdução geral que tem no início da introdução, e é maravilhosa para criar expectativa, não é mesmo? Todos os contos do livro têm uma introdução escrita pelo próprio King, o que nos leva numa viagem pela mente e pelo processo criativo dele (é um miniguia sobre o que ele passou para chegar naquele plot de história).

Sob a circunstância certas, uma pessoa pode vender qualquer coisa. E viver com a culpa.


Moralidade é um conto que já nos ganha pela introdução, com um tom de bate-papo, King nos conta sobre a época da faculdade em que vendeu trabalhos escolares (já que na arte da escrita ele é sensacional), ou quando ele vendia o próprio sangue para poder ganhar dinheiro, nos descreve isso sem medo de julgamento.

Um dia, voltando para a faculdade depois de vender meu sangue, me ocorreu que, se prostituição é se vender por dinheiro, então eu era um prostituto. Escrever ensaios de inglês e trabalhos de fim de período de sociologia também era uma forma de prostituição. Eu fui criado como metodista tradicional, tinha uma noção precisa de certo e errado, mas a verdade estava clara: eu tinha me tornado um prostituto, só que vendia meu sangue e meu talento para a escrita em vez da bunda.

Milha 81 tem uma história que basicamente fala sobre um carro canibal, esse é o conto que abre o livro, mas livros de contos eu nunca leio na ordem (a não ser que a introdução indique que talvez a ordem cronológica seja essencial), e nesse caso foi muito bom ler fora da ordem para não me deixar influenciar pela introdução que o king afirma ser um dos preferidos dele; o conto tem pinceladas sobrenaturais e referências pop como Transformes, Justin Bieber, Harry Potter e até Led Zeplin, tudo numa atmosfera de “Stranger Things”.

Vida Após a Morte é um conto curtinho sobre uma pessoa que morre, e a última coisa que ela vê é uma luz, até que vai parar numa sala e se dá conta de que existe vida após a morte. O que me ganhou nesse conto é que mesmo curto aqui dá para perceber o quanto o King desenvolveu o conceito de vida após a morte, e não tem como não terminar o conto e ficar filosofando sobre a mecânica de reencarnação (seja ela na minha visão ou na visão do King).

A Igreja de Ossos é um conto feito no estilo de poesia (talvez o que eu tenha menos curtido nessa seleção de contos), talvez porque esse estilo esteja fora da minha zona de conforto e talvez por isso eu não tenha aproveitado tanto, mas mesmo assim ainda indico até porque pretendo reler em breve.

Garotinho Malvado é provavelmente o conto forte, tenso e fala sobre a maldade pura que assustadoramente pode existir dentro de uma pessoa … George assassinou um garotinho com tiros à queima-roupa e foi condenado a pena de morte por isso, e em sua última conversa com seu advogado que ele dá sua versão de como conheceu o garotinho, e por quê/como ele o matou, mas a descrição não é gratuita e o conto nos leva a questão: O que teríamos feito no lugar de George? Esse foi o conto que na minha opinião exemplifica o título do livro… sim meus amigos, eu tive pesadelo.

Mister Delícia: Só queria dizer que King escreve que a morte pode ter a aparência de alguém que desejamos sexualmente no passado [pausa para um BERRO meu aqui], esse sem dúvida é o conto mais divertido [ainda estou pensando sobre como a minha morte vai parecer].

Enfim, King é um dos meus autores favoritos e eu poderia ficar listando as razões disso por dias, mas vale ressaltar que essa edição para quem nunca leu King é uma excelente dica, além de ser um presentão para qualquer leitor! A diagramação é simples e a capa é maravilhosa (como fã meu único desejo é que ela estivesse dentro daquele projeto Biblioteca King; já pensaram essa edição em capa dura?). Bons sonhos ruins a todos!

O Bazar dos Sonhos ruins  
Autora
: Stephen King | Editora: Suma de Letras
Páginas:  528 | ISBN: 9788556510303
Skoob | Goodreads
Para ler:  Amazon

Ósculos e Amplexos, Karina.