Ebooks natalinos escritos por brasileiros

24 de dezembro de 2018
ebooks natalinos

Véspera de Natal e estamos aqui fazendo o quê? Isso mesmo: indicações literárias do que ler nessa época festiva. Apesar de haver uma gama bem grande de livros natalinos, para todos os gêneros e gostos, a maioria deles mostram uma realidade bem diferente da que vivemos por aqui. Porém há uma série de ebooks de contos natalinos escritos por autores brasileiros.

No mês passado quando eu estava atrás de livros natalinos, acabei me deparando com uma série de ebooks de histórias natalinas escritas por autores brasileiros. Na real, eu já tinha visto alguma dessas histórias no ano passado, mas foi só nesse ano que fui atrás desses ebooks.

Para ajudar vocês fiz uma seleção de Livros natalinos escritos por brasileiros, muitos deles queridos pelos leitores.

Ebooks natalinos

Eu liberei um vídeo no canal mencionando esses livros e mostrando também outros livros maravilhosos para ler durante esse período de festas.

Vou aproveitar e desejar um Feliz Natal para todos os leitores do Prateleira de Cima e um ano de 2019 de muito sucesso para todos vocês.


Mil beijos e até mais!

Pequena biblioteca feminista

19 de dezembro de 2018

Uma das grandes coisas que acredito com a leitura e com os livros é o seu poder de mudar, de transformar, de evoluir o pensamento humano. A capacidade de quebrar paradigmas e tradições que já estão há muito tempo obsoletas em nossa sociedade moderna.

Os livros a cada dia tem me transformado, feito com que eu possa expandir o meu conhecimento e minha empatia com o mundo. E sempre serei grata a eles pelo o que tem sido capazes de fazer em minha vida. Afinal de contas, escolhi ser bibliotecária muito por conta disso.

E uma das coisas que os livros tem feito no últimos anos é aumentar o meu interesse sobre o Feminismo e sobre livros com temática feminista.

“Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos”. (Chimamanda Ngozi Adichie) 

Eu me considero uma feminista. Acho que desde criança. Nunca entendi muito porque esse lance de separar uma pessoa da outra apenas porque elas são de gêneros diferentes. Achava isso uma grande injustiça desde muito nova, lembro de episódios ainda criança quando nem compreendia bem a diferença de sexo biologicamente falando. Mas eu não me via feminista, principalmente porque quando eu era criança na minha cabeça a ideia de “mulher feminista”, era sobre as mulheres que foram para as ruas queimar sutiãs. Não sou militante, acho até um defeito meu. Mas tento construir um mundo mais igualitário da maneira que posso, principalmente desconstruindo o pensamento daqueles que estão ao meu redor.

Mas só depois de alguns livros (e artigos também) sobre a temática é que fui entender o que o feminismo realmente representa e o que ele defende. O interesse e a curiosidade foram crescendo e a busca por mais materiais sobre o tema ia só aumentando a minha lista de livros que quero ler. Esses livros são minha base para ajudar a exercer o meu pequeno papel de feminista (e também de bibliotecária) na desconstrução, na quebra de paradigmas e na orientação das pessoas que estão ao meu redor é que ainda não compreendem muito bem o que o feminismo representa para a nossa sociedade.

Um dia soube Clube do Livro Our Shared Shelf, criado e mantido pela Emma Watson (e colaboradores). Falo dele dele há um bom tempo por aqui (e também no canal do Youtube) e tenho mantido o post o mais atualizado possível. Tenho baseado muito as minhas leituras sobre o tema nessa lista, que além de livros sobre feminismo você também pode encontrar livros que irão tratar também sobre questões de gênero e muita literatura escrita por mulheres e sobre mulheres.

Mesmo assim senti que precisava de mais.

Tenho sempre encontrado sugestões e pedidos de indicações de leitura perdidos (e espalhados) pela internet e percebi que o interesse pelo tema tem crescido, mas as pessoas ainda continuam muito perdidas sobre o que ler. A gente sabe que tem muitos livros sobre, mas cada um irá tratar o tema de uma maneira diferente. E então por conta dessa necessidade e para ajudar quem está atrás de um compilado quase completo decidi criar essa lista intitulada Pequena biblioteca feminista.  para . E ent˜

A ideia do Pequena Biblioteca Feminista é uma lista que sirva de referência para pessoas que querem conhecer, entender e aprofundar o conhecimento sobre feminismo e sobre literatura feminista.

Não tenho a intenção de esgotar o assunto. Primeiro porque não sou uma expert na área (sou bibliotecária, lembram?), segundo porque seria bem insano tentar reunir todo o conhecimento sobre esse tema em um post de blog. E por último, quero que a intenção seja dar um pontapé inicial para aqueles que estão meio que perdidos nesse marzão de informação que é a internet.

Essa lista foi construída a partir do meu conhecimento prévio sobre os livros que retratam a temática e as sugestões que foram recolhidas pelas minhas contas no Instagram. Vão aparecer livros muito conhecidos e outros nem tantos. Livros técnicos e também aqueles que expressam o feminismo na forma de arte. Vou fazer um listão geral nesse primeiro momento, mas em breve devo separar por categorias que acho conveniente para melhorar a busca por livros mais parecidos. Vou aproveitar e deixar o convite para que vocês possam sugerir livros não-listados e que se encaixariam perfeitamente nessa pequena biblioteca.

Pequena biblioteca feminista (e sobre feminismo)

  • Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie
  • Para educar crianças feministas, Chimamanda Ngozi Adichie
  • Feminismo em comum, Marcia Tiburi
  • O segundo sexo, Simone de Beauvoir
  • O mito da beleza, Naomi Wolf
  • Mulheres que correm com lobos, Clarissa Pinkola Estés
  • Os monólogos da vagina, Eve Ensler
  • Como ser mulher, Caitlin Moran
  • O poder, Naomi Alderman
  • Argonautas, Maggie Nelson
  • Calibã e a bruxa, Silvia Federici
  • Homens explicam tudo para mim, Rebecca Solnit
  • Má feminista, Roxane Gay
  • Clube da Luta Feminista, Jessica Bennet
  • Um teto todo seu, de Virginia Woolf
  • Quem tem medo do feminismo negro?, Djamila Ribeiro
  • Persépolis, Marjane Satrapi
  • O peso do pássaro morto, Aline Bei
  • Mulheres, raça e classe, Angela Davis
  • Teoria King Kong, Virginie Despentes
  • O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras, bell hooks
  • Vox, Christina Dalcher
  • Mulheres e poder: Um manifesto, Mary Beard
  • Breve História do Feminismo, Carla Cristina Garcia
  • Profissões para mulheres e outros artigos feministas, Virginia Woolf
  • Reivindicação Dos Direitos Da Mulher, Mary Wollstonecraft
  • O conto da aia, Margaret Atwood
  • Inferior É o Car*lhø, Angela Saini
  • Explosão feminista: Arte, cultura, política e universidade, Heloísa Buarque de Hollanda
  • Terra das mulheres, Charlotte Perkins Gilman
  • O papel de parede amarelo, Charlotte Perkins Gilman
  • A origem do mundo: Uma história cultural da vagina ou a vulva vs. o patriarcado, Liv Strömquist
  • Ousadas Vol. 1: Mulheres que só fazem o que querem, Pénélope Bagieu
  • Qual o problema das mulheres?, Jackie Fleming
  • Feminists Don’t Wear Pink and Other Lies, Scarlett Curtis

Quero deixar claro aqui que você não precisa sair comprando todos esses livros que nem uma louca. O que recomendo é explorar as bibliotecas da sua cidade. Outra dica bem bacana que pode servir, é juntar um grupo pequeno de amigos e dividir as compras literárias: cada um compra um livro diferente e os livros vão circulando entre os integrantes. Eu fazia isso com minhas amigas quando estava na escola para comprar revista Capricho e dava super certo. Não precisa sair gastando tudo o que tem só para ter aquele livro imperdível que vai trazer uma nova teoria para resolver as questões sobre o feminismo. A final de contas a cultura do consumo tem grandes relações com a opressão feminina.

Vou aproveitar e deixar meu agradecimento a Isa e a Gabi que tem fomentado em minha essa ânsia por conhecimento sobre o feminismo e as questões de gênero. Muitas das indicações literárias da lista acima são graças a elas e suas leituras. Elas são as principais, mas estou cercada de mulheres maravilhosas indicando livros feministas maravilhosos também. Obrigada meninas!!!

Espero que a Pequena Biblioteca Feminista sirva de referência para todos aqueles que estão atrás de livros feministas e sobre feminismo. Que seja um norte para que possamos quebrar paradigmas e lutar por um mundo onde possamos ter igualdade de oportunidades e direitos entre homens e mulheres.

Faltou algum livro que você acha que não pode faltar nessa lista? Deixe a sua sugestão nos comentários. Aproveite para compartilhar esse post para mais pessoas terem acesso a essa lista ou quem sabe aquela indireta para presente. Como disse uma amiga: “Vamos espalhar a palavra!”.


Mil beijos e até mais!

Leis da Atração, de Simone Elkeles

18 de dezembro de 2018

Segundo volume da trilogia Best-seller Química perfeita.
Carlos Fuentes voltou aos Estados Unidos, mas não está feliz com nenhum dos planos que seu irmão mais velho, Alex, traçou para ele. Carlos quer continuar vivendo à margem da lei e trilhar seu próprio caminho, mas os elos com a perigosa gangue com que ele se envolveu no México estão colocando sua liberdade em risco.
Quando encontram drogas em seu armário da escola, Carlos é transferido para a casa de um antigo professor de seu irmão, que tem uma família bem-estruturada e uma filha estudiosa e tímida, Kiara. Apesar de serem de mundos completamente opostos, Carlos e Kiara serão forçados a viver juntos e descobrirão que, quando há atração, as diferenças são esquecidas.
À medida que o perigo cresce, Carlos começará a questionar se aquela família americana é mesmo sua única saída, e se vale a pena se arriscar por uma chance em uma vida que ele nunca sonhou ser possível.  Fonte da sinopse: GloboAlt

“Leis da atração” é o segundo volume da série “Química Perfeita” e eu preciso confessar que apesar de estar morta de curiosidade pelo livro 2 da série, eu peguei birra do Carlos no livro 1, sim gente livros adolescente me fazem agir com uma leitora adolescente rs.

Carlos é o irmão do meio dos Fuentes, o mais marrento com toda absoluta certeza; se há algumas estradas que vão dar no caminho errado por ter certeza que a probabilidade de Carlos escolhe lá é bem alta, quando a família dele decide manda ló de volta aos Estados Unidos para morar com Alex (lá de química perfeita) ele não tem muita escolha, mas isso não deixa o garoto longe das confusões que ele tem tendência a se envolver.

Quero viver minha vida nos meus próprios termos. Mas sou mexicano, então mi família está sempre lá para me guiar em tudo que faço, quer queira ou não. Bom, “guiar” não é bem a palavra certa. “Ditar” seria mais correto.

Depois de se envolver numa situação X no colégio ele é obrigado a ir morar na casa de um professor para não ir parar no reformatório é ai que começa aquele drama adolescente no colégio que eu tanto amo; Kiara é filha do professor que apesar de tímida é determinada e vai ensinar ao Carlos que existe muitas maneiras de construir um futuro, não existe só certo e errado, vocês já podem imaginar o quanto é gostoso ver o bad boy quebrar a cara e tentar reconstruir um novo Carlos.

Sempre que alguém tenta controlar minha vida e me impor mais regras, eu me rebelo por puro instinto.

O que me ganha nos livros da autora é que mesmo que o romance seja um ponto de virada na vida dos personagens, geralmente os personagens secundários são maravilhosos e a dinâmica familiar da Kiara é quem rouba nossos corações aqui, além de serem responsáveis por momentos engraçados , duvdo você passar pelas páginas sem rir do Brandon ( o irmãozinho da Kiara), e os  pais são modelos de pais que queremos ter, pais compreensivos que fazem com que Carlos aos poucos se renda e perceba que aceitar ajuda não é sinal de fraqueza.

Sair com ele significa ter que manter uma muralha emocional muito bem erguida, para que não fiquemos tão envolvidos. Não sei se a minha é tão forte assim.

Apesar de ambientado naquele cenário americano que sempre vemos nos YA o diferencial da trilogia continua sendo nos costumes mexicanos, uma vez que nossos tanto do livro um quanto do dois reforçam o tempo todo suas tradições e origem familiares; mesmo com a narração dividida entre o Carlos e a Kiara a escrita é fluida e não quebra o ritmo de leitura.

Para quem já estava morrendo de saudade do Alex e da Brittany eles aparecem para aquecerem nossos corações e se ficarmos com muita saudade da Kiara e do Carlos a boa notícia é que ainda temos um terceiro livro pela frente, então, que venha o caçula dos Fuentes, a GloboAlt tem publicado os livros com um intervalo pequeno então talvez não tenhamos que esperar muito; mesmo que esse livro não seja um divisor de aguas na vida de nenhum leitor com certeza cumpre o papel de nos entreter e nos fazer esperar ansiosamente para o próximo, pegue seu coração adolescente escondido em algum lugar ai e reserve uma tarde pra essa leitura que valerá a pena.

Leis da Atração  
Autora
: Simone Elkeles | Editora: GloboAlt
Páginas:  384 | ISBN: 9788525066022  | ISBN: 9788525064370
Skoob | Goodreads
Para ler:  Amazon

Ósculos e Amplexos, Karina.

A história de Malikah, de Marina Carvalho

12 de dezembro de 2018

A história de Malikah

Malikah foi escravizada e trazida da África ao Brasil ainda criança. Aqui, ela sofreu as mais diversas formas de violência, especialmente depois de ter engravidado de Henrique, o filho de seu patrão. Apesar da gravidez ser fruto de uma relação de amor, ela foi castigada e teve que fugir até encontrar abrigo em uma fazenda onde os negros já podiam viver em liberdade. Nessa nova terra, Malikah pode morar em paz com seu filho mas, apesar de sua relutância, Henrique continua por perto, arrependido por não tê-la protegido e tentando se aproximar da criança. Mesmo ainda sentindo algo por ele, como ela conseguirá perdoar alguém que representa tantos anos de injustiça e sofrimento?
Fonte da sinopse GloboAlt

“A história de Malikah” traz na capa a informação de ser o livro 2 do  “O amor nos tempos do ouro” fazendo ilusão ao primeiro livro lançado pela Marina Carvalho também pela GloboAlt, mas essa história não trata de uma sequência e sim de um spin off .

Claro e escuro. Branco e preto. Certo e errado. Henrique e Malikah.

Esse é livro é um romance histórico de um período que quase nunca vejo retratado em livros nacionais. Isso já ganha infinitos números na minha experiência de leitura, afinal de contas temos fatos riquíssimos e uma história do Brasil inteira a ser desbravada, com uma introdução logo no começo a autora numa espécie de carta ao leitor, nos conta do processo de pesquisa e ainda nos convida a conhecer mais da história do nosso próprio país.

O plot central desse livro é a história de amor de Malikah (uma escrava trazida da África ainda na infância) e Henrique filho de um fazendeiro Cruel; já é de se imaginar que a vida de Malikah foi permeada pela crueldade humana, se você leu “O amor nos tempos do ouro” você sabe do amor que Malikah tem pelo filho e caso você não tenha lido é em “A história de Malikah” que vamos acompanhar as reviravoltas até que ela seja uma ex-escrava.

Vivemos em um mundo injusto e cruel, querida, onde seres humanos subjugam seus semelhantes sem remorso.

Euclides dono da Fazenda Real e pai de Henrique jamais aceitaria a afronta de ser avô de uma criança que tem uma mãe escrava, logo que descobre a gravidez manda matar Malikah. Sabemos logo no início que, com ajuda de amigos, ela consegue fugir. A grande decepção está quando Henrique deixa Malikah entregue à própria sorte.

A narração está dividida entre capítulos do passado e do presente. Depois de romper com o pai Henrique precisa descobrir uma maneira de se redimir, enquanto Malikah talvez descubra que mesmo não sendo nada fácil o caminho do perdão é mais necessário do que ela imaginava.

Se recuperar o amor e a confiança de Malikah era uma missão impossível, ninguém o impediria de lutar pelo direito de exercer seu papel de pai.

A história de Malikah

Apesar de se tratar de uma obra ficcional não há como não sentir o coração apertado desde a primeira página até a última; acredito que o maior poder dos livros é nos ensinar empatia e a missão é completamente alcançada com essa história.

A maioria dos brancos é doutrinada desde cedo a acreditar que pessoas de outras raças são inferiores. Na hierarquia dessa gente, alguns animais têm mais valor do que o homem, especialmente se este for negro, ou gentio, ou pobre.

Nada nesse desenvolvimento é forçado e mesmo que muitas passagens nos deixem revoltados enquanto leitor  temos que lembrar que isso foi realidade no Brasil de 130 anos atrás; todas as mazelas que a protagonista viveu desde ver a mãe ser morta por chicotadas no tronco, até ter a própria vida ameaçada por carregar um filho de um outro alguém que se julgava superior, foi a verdade de muitos em um Brasil do passado, o que torna a narrativa coerente e fluida o tempo todo. A maneira como nasce o amor entre Malikah e Henrique é também natural. As atitudes do Henrique apesar de injustificável é muito bem fundamentada nos padrões de comportamento da época e acompanhar o crescimento do personagens é lindo.

A esperança é o pilar do mundo.

Marina Carvalho com muita pesquisa e talento nos traz uma história riquíssima, que mesmo com acontecimentos tão duros e tristes nos entrega uma narrativa leve, com momentos de diversão e amor. O pequeno Hassan é quem entra pronto para nos arrancar risadas. Todas as crianças retratadas são de uma doçura incrível, mas falar sobre elas já é dar muito spoiler.

Se devolvesse minha alma a Henrique e ele voltasse a pisar nela, jamais me recuperaria novamente.

A edição segue o padrão de cuidado do primeiro livro, nas aberturas de capítulos há trechos de poemas que são um espetáculo à parte. Se tem uma coisa que eu recomento é: aproveite o fim do ano e leia os dois livros, de preferência na ordem de publicação. 

A boa notícia é que existe a possibilidade de conhecemos mais alguns personagens num próximo livro e, independente de quem seja, uma certeza eu tenho: já estou ansiosa pelo lançamento.


A história de Malikah  

Autora
: Marina Carvalho | Editora: GloboAlt
Páginas:  336 ISBN: 13: 9788525063366
Skoob | Goodreads
Para ler:  Amazon

Ósculos e Amplexos, Karina.